Os Papéis da Wollastonita e da Dolomita nos Esmaltes

Na formulação de esmaltes é crucial dominar os princípios que regem a substituição de diversas matérias-primas; isto permite transcender as limitações dos ingredientes disponíveis e, assim, criar vernizes que correspondam precisamente às expectativas do formulador.

A secção seguinte apresenta duas matérias-primas habitualmente utilizadas no fabrico de esmaltes: a wollastonita e a dolomita.

Ambos os materiais pertencem à família dos fundentes à base de cálcio (contendo magnésio); partilham funções essenciais semelhantes e são frequentemente empregues na preparação de esmaltes.

1. **Ação Fundente:** Reduzem a temperatura de fusão e a viscosidade do esmalte a altas temperaturas, promovem o nivelamento do esmalte e minimizam defeitos como *pinholes* (pequenos orifícios) e a retração do esmalte.

2. **Melhoria de Propriedades:** Aumentam a dureza, a resistência à abrasão e a estabilidade química do esmalte; fortalecem a aderência entre o corpo cerâmico e o esmalte; e minimizam problemas como o *crazing* (fissuramento) e o descascamento do esmalte.

3. **Controlo da Expansão Térmica:** Regulam o coeficiente de expansão térmica do esmalte, otimizando, assim, a compatibilidade entre o corpo cerâmico e o esmalte.

4. **Refinamento Textural:** Auxiliam na melhoria da textura do esmalte, conferindo um brilho suave à superfície, e são compatíveis com diversos tipos de esmaltes, incluindo os foscos e os semitransparentes.

 

**III. Principais Diferenças**
**1. Poder Fundente e Características de Fusão**

**Wollastonita:** Apresenta uma elevada eficiência fundente e uma cinética de fusão rápida, embora a sua gama de fusão seja relativamente estreita. Reduz rapidamente a viscosidade do esmalte e promove um nivelamento veloz da superfície esmaltada, sendo ideal para produtos que exijam um elevado grau de planicidade superficial.

**Dolomita:** O seu poder fundente é ligeiramente inferior ao da wollastonita; no entanto, tem uma ampla gama de fusão e sofre um processo de fusão gradual. Isto permite-lhe amortecer eficazmente as flutuações de temperatura a níveis elevados no interior do esmalte, oferecendo maior adaptabilidade a diferentes posições no forno e reduzindo a probabilidade de defeitos como a fusão excessiva ou o escorrimento do esmalte.

**2. Coloração e Textura do Esmalte**

**Wollastonita:** Caracterizada por níveis extremamente baixos de impurezas e elevada brancura, não interfere com a coloração do esmalte. Ajuda a manter um aspeto de verniz limpo e transparente, sendo muito adequado para vernizes de alta brancura, vernizes transparentes, vernizes de cores claras e vernizes com coloração de alta precisão; Realça também a fineza geral da textura do verniz.

**Dolomita:** Contém magnésio, que confere uma opacidade suave e leitosa à superfície do esmalte. A sua brancura é ligeiramente inferior à da wollastonita, e a presença de vestígios de impurezas de ferro pode fazer com que o esmalte adquira uma ligeira tonalidade acinzentada; consequentemente, não é adequada para vernizes brancos puros, sendo mais indicada para vernizes mate e opacos.

**3. Defeitos de Queima e Compatibilidade Atmosférica**

**Wollastonita:** Apresenta uma perda ao fogo (LOI) extremamente baixa e não gera praticamente gás a altas temperaturas, resultando num risco muito reduzido de defeitos como *pinholes* (microfuros) e bolhas. É compatível tanto com atmosferas de forno oxidantes como redutoras, e é resistente a problemas de descoloração, tais como o “fumeamento” (acinzentamento) ou o amarelecimento. **Dolomita:** Caracteriza-se por uma elevada perda ao fogo e por uma evolução significativa de gases durante a decomposição a altas temperaturas; se utilizada em quantidades excessivas ou submetida a uma queima muito rápida, tende a provocar *pinholes* e bolhas. Sob uma atmosfera redutora, o teor de magnésio pode comprometer a estabilidade da cor do esmalte; por isso, é mais adequada para queimas em atmosferas oxidantes.

**4. Expansão Térmica e Compatibilidade Massa-Esmalte**

**Wollastonita:** Apresenta um coeficiente de dilatação térmica moderado, o que lhe permite regular eficazmente a dilatação do esmalte. É compatível tanto com massas de faiança (terracota) de baixa a média temperatura como com massas de porcelana de média a alta temperatura, oferecendo uma resistência eficaz contra o *crazing* (fissuramento) do esmalte.

**Dolomita:** Contém magnésio e apresenta um coeficiente de dilatação térmica ligeiramente inferior ao da wollastonita. Demonstra uma adaptabilidade superior a diversas massas cerâmicas — particularmente àquelas com um coeficiente de dilatação relativamente baixo — e ajuda a minimizar o fissuramento do esmalte provocado tanto pelo arrefecimento como pelo choque térmico.